terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Heróis particulares

Sentada em um ônibus, perdida em minha rotina, na rotina de meus dias, esperava chegar ao meu destino, e assim, eu desceria voltando aos meus afazeres. É engraçado as figuras que você encontra... Homens, mulheres, criança, idosos, brancos, pretos, pardos... Todos ocupados, sem se importar com quem está ao seu lado, ocupados demais até para sorrir.

O ônibus naquela tarde não estava muito cheio, e eu sentada, procurava em algo para pensar, para distrair, foi então que uma cena me chamou a atenção:

Sentado, um garotinho segurava as pernas de sua mãe, que estava de pé ao seu lado. As pequeninas mãos entrelaçavam as pernas com força, talvez por ter certeza que sua mãe não o abandonaria e que seria capaz de lhe proteger.

Parecia que só eu observava a singeleza daquela cena. Não sei de certo o tempo em que passei ali, só sei que me peguei sorrindo, lembrando da minha própria infância, onde tudo parecia mais simples. Existia sim problemas, mas também existia heróis, os meus heróis particulares.

Quem nunca teve seus próprios heróis? Sentíamos confiantes, seguros e amados. Sabíamos que quando precisássemos, eles apareceriam, e muitas vezes nos metíamos em confusão só para que eles pudessem se aproximar e salvar o nosso dia. E no fim da tarde podíamos sentar em seu colo, e contemplar aquele rosto cansado, mas que nunca escondia um sorriso.

Até nós ganhávamos super poderes! Afinal, aprendíamos a falar com os olhos, uma língua só nossa. E muitas vezes esses olhares valiam mais que mil palavras. Nos sentíamos importantes, cumplisses de um segredo só nosso. Descobrimos o quanto um sorriso é importante, como lágrimas podem ser dolorosas e o silêncio ameaçador.

Com os olhos já lacrimejados, percebi que o ônibus havia chegado ao meu destino. E dando o sinal, eu desci pensando na sorte que o garoto tinha por ainda ser apenas criança, por ainda ser inocente.

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